01 fevereiro 2017

- É como ...



te digo, as diferenças são das coisas mais interessantes que habitam o mundo. Podem dizer o que quiserem mas eu acho que se fosse tudo igual não só a monotonia seria elevada, como acabariam grande parte das profissões e das paixões que dão graça a isto. A economia e o romance passariam a ser das  grandes utopias da humanidade. Os estímulos gerados pelas diferenças são de tal forma enriquecedores que a descoberta se tornou o principal ímpeto da vida. Atenção que por diferenças não me refiro às desigualdades, isso é outra coisa. Quero dizer a heterogeneidade, a diversidade. A biologia, no fundo, já explicava isto, através das teorias da evolução das espécies. A variedade genética, do lado humano, já nem é assunto inovador mas se pensarmos que "metaforicamente" pode existir um genoma em tudo, é fácil extrapolar o conhecimento da selecção natural para outros assuntos menos biológicos. Olha as casas, por exemplo! Cada uma tem o seu genoma, partilham materiais, cálculos de engenharia e conhecimentos de arquitectura, mas cada uma apresenta uma estética que a diferencia das demais. Tomemos como exemplo aquelas duas. Tão próximas e tão diferentes porém tão coerentes na harmonia que provocam. Eu gosto de olhar para elas, precisamente pelas diferenças com que se apresentam. Têm uma constituição genética diferente embora partilhem de janelas, portas, fachadas, canalizações e outros aspectos de construção. E tal como os humanos, envelhecem. Ganham rugas e cores esbatidas, mas com isso também adquirem uma mais forte identidade. Já ouviste falar do "decadent chic"? É um bocado isto, esta decadência que embeleza, que dá personalidade, que dá encanto ao invés de tornar algo obsoleto. É como te digo, eu por mim levava a vida a conhecer o mundo só para lhe anotar as diferenças. Tenho um caderninho já guardado para quando, finalmente, conseguir concretizar este propósito. E tu, o que é que achas?

- Acho que sou diferente de ti. Gosto de alguma normalidade e os padrões sempre me conquistaram.

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